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terça-feira, 27 de março de 2018

BAR


Odeio como você bebe a tristeza
Sem respirar um segundo
Entre um gole e o outro
Acaba com o copo de uma vez
E estica o braço
Para pedir mais

Outras bebidas dançam
Nas bandejas dos garçons
Antes de encostar nos lábios
De outras pessoas
Você fecha os olhos nesse momento
Para não sentir
O gosto por sinestesia

Você se afoga
E afoga as magoas
Com as próprias magoas
Vinte e poucos anos
Em um gole, glup

No fundo você sabe
Que misturou tristeza
Com um cubo de medo

Medo de descobrir
Que a felicidade é tão
Efêmera quanto a tristeza
Que você bebe
E no outro dia acorda
Indiferente a ela

Você preserva a euforia
Da felicidade
Como um bom uísque
Para ela permanecer
Intacta aos seus olhos
E sonhos

E só não pede uma dose dela
Porque está bêbado demais
Para se lembrar que já a sentiu
E amou.