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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

ABUJAMRA.


Nos meus sonhos Abujamra
Me olhou nos olhos
E me perguntou calmamente
O que é a vida?  

E eu respondi
Que ela é tudo aquilo
Que cabe entre o nascimento
E a morte

Provocativo como sempre foi
Ele voltou a me olhar
Dessa vez, sério e fechado
E me perguntou
Leandro, o que é a vida?

Com as mãos trêmulas
E os olhos marejados
Como se tivesse entrado areia neles
Eu respondi
Que a vida é o tempo
O tempo em que a existência brilha no presente
Sem saber que aquilo é o passado

Abujamra não mostrou satisfação
Passou a mão nos poucos fios
De cabelo que lhe restavam na cabeça
E voltou a me perguntar
Leandro, o que é a vida?

Com os lábios secos
E quase rachados
Eu sorri
Mostrando algumas rugas
Enquanto disfarçava o desconforto

A vida é um intervalo
Um intervalo de importância máxima
Ou mínima
Apenas para quem vive e respira
Dentro de si
Ela é o egoísmo 


Abujamra inflamou
Apoiou as mãos na mesa
Levantou-se
E mais uma vez perguntou
Leandro! o que é a vida?

A vida?
Perguntei eu, contra a minha vontade
Ah a vida
Ela é o que eu já perdi
E achei milhares de vezes!
É o que eu já senti
E não senti
É o vazio e o medo
É o orgasmo e a felicidade

Ah! a vida!
Ela é tudo o que eu acho que ela é
Ao mesmo passo de não ser
Nada do que imagino
Ah a ...

Abujamra deu um tapa na mesa
Me interrompendo
E furioso refez a pergunta
LEANDRO! O QUE É A VIDA?

EU NÃO SEI!
EU NÃO SEI!
Respondi para seu espectro.