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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Aluga-se



Eu vejo olhares
Olhares
Que não
Parecem estar
Sendo habitados por ninguém

São casas vazias
Em movimento
Gritando em silencio

Aluga-se!

Essa vida
E esse par de olhos
Com vista para a morte.

Eu vejo lábios
Lábios
Onde a conversa
É sempre banal

Aluga-se!

Um par de lábios finos
Onde o óbvio
Corta e faz jorrar
O ódio.

Se eu pudesse alugar
Qualquer parte
Dessas casas em movimento
Eu alugaria os ouvidos.

Passaria um final de semana
Aos sussurros
Dentro dele

Dizendo o quanto
Os seus outros cômodos
São incríveis

Passaria na sua janela
Só para ver os sonhos
Que pendurou nas paredes

E na calada da noite
Dizer
Que a primeira etapa da realização
É o sonho.

Eu sei
São dores sem vazão
E por outro lado
Se tem
Muita
Infiltração

Fazendo parecer
Que a única alternativa
É deixar
De habitar em si.