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terça-feira, 30 de maio de 2017

Sobre Nada, Sobre Tudo

1
 
Pintei a minha volta quatro paredes brancas
Coloquei prateleiras e as enchi
Com as coisas que mais amei.
Coisas que amei errado
Mas não soube.

Enquanto enfiava o troco
No bolso da calça
E sentia o peso da minha insignificância na sacola
Eu fui feliz.

Fui feliz errado
Ou pelo menos, meio errado
Daqueles que sabe
Que carrega uma sacola vazia
E enche a prateleira de coisas vazias
Mas sorri.

Sorri errado
Sorri sem paixão.
E sem paixão eu não passo
De uma sacola que pesa, mesmo vazia.

2

A noite cai
As paredes brancas brilham
A poeira ainda não tomou as prateleiras
Mas o silêncio
O silencio tomou tudo que respira e pensa
Despejou um balde cheio de palavras
Que evitei o dia todo
Enquanto carregava uma sacola vazia
E voltava para casa sorrindo.

Não contei ainda
No caminho de volta
Encontrei um homem que não amava
Mas sabia o que era o amor
Dizia nunca ter sentido
Mas sabia seu significado
E até mesmo seu gosto.

Provavelmente amou e não percebeu
Por esperar que o sol jamais iria embora
Enquanto amava.
Por esperar que o amor fosse palpável
E devesse estar dentro de uma redoma
Com uma placa presa embaixo
Descrevendo-o.

Aqui jaz o que eu nunca aprendi a sentir.

3

Amanhã talvez eu derrube  
Essas quatro paredes brancas
Ou as pinte de outra cor qualquer.

Por dentro sei que não é a cor
Que se tornou intragável
Sou eu
Que não as encaro da mesma forma mais.

Sou eu que esperava algo diferente
Assim como o homem
Que achava que o amor tinha gosto
Para encontrar sabor
Em mais uma de suas desculpas.